
Não me julgue por sentir medo!
Se eu soubesse o que fazer, já teria feito.
Não me julgue por sentir medo!
Fui eu quem esperou durante todos esses anos.
Fui eu quem sofreu e chorou calada a cada visita sua.
Não me julgue por sentir medo!
Não pense que eu procurei por isso.
Eu nunca imaginei que poderia acontecer.
Você era a minha única vontade.
Aconteceu. Não me julgue.
Você não estava por perto, você não me deu esperanças, não me disse o que fazer.
Não me julgue por sentir medo!
Não consigo entender essa urgência que agora te consome.
Por que o primeiro passo para redenção precisa partir de mim?
A distância é a mesma.
A única diferença é que você sabe que caminho seguir.
É mesmo tão importante?
Você sente a dor?
Então agora você entende pelo que tenho passado.
As horas parecem insuficientes? A tela do computador não satisfaz?
Frases tecladas não tem a mesma força?
Bem vindo ao meu mundo.
Por muito tempo isso foi tudo o que eu tive.
Por muito tempo foi assim que eu vivi, e sobrevivi.
Alimentei-me das migalhas, das palavras soltas e dos gestos perdidos.
Eu gostava escondido.
Não me julgue por sentir medo!
Agora você quer que eu corra ao seu encontro, sem pensar, sem olhar para trás.
Sem ponderar as possibilidades que se abriram para mim.
Você espera que eu grite de alegria, que suspire de felicidade.
Não me julgue!
Eu ainda gosto de você.
Mas tenho que te dizer: Sinto Muito!
Se é assim tão importante...
Eu estava ali parada...
Por que não me tomou nos braços?
Por que não me beijou naquele instante?
Por que não recuperou os anos perdidos e diminuiu o tamanho da espera?
Por que você não agiu quando teve a chance?
Se há mesmo um momento para que as coisas sejam ditas, feitas. Nosso momento foi aquele.
E você deixou que ele passa-se.
Não me julgue por ter medo!
Não posso perder você mais uma vez.
Então, talvez, a melhor solução seja não tê-lo de volta.
Mas não pense, por um só minuto, que essa opção me agrada.
É exatamente pensar em desistir de você que me faz perder o sono.