Movida por uma vontade súbita de produzir, porém, sem uma inspiração aparente. Comecei a escrever na esperança de que a idéia viesse enquanto meus dedos tocavam o teclado.Viver em meio a grandes artistas nem sempre é confortável, é fácil sentir uma pontinha de ciúme da maneira natural com que as grandes idéias afloram sem que eles se dêem conta. Mas fácil ainda é pensar o que você está fazendo lá. Perguntar-se se aquele é mesmo o seu lugar. Algum tempo atrás eu realmente acreditei que tinha talento, mas hoje me comparo às outras pessoas e não tenho mais tanta certeza.
Não deveria fazer comparações. Contudo, em meu mundo, mais do que em qualquer outro, elas são inevitáveis. Na maioria das vezes maldosas e cruéis. E aprender a conviver com isso leva tempo e um pedaço da sua alma.Não, não sinto tristeza, nem arrependimento. É esse o lugar onde eu queria estar. Foi por isso que lutei durante anos de minha vida. Entretanto, isso não faz com que a insegurança desapareça. Não leva embora o medo do fracasso. Muitos irão dizer que o que sinto agora é absolutamente normal diante do novo universo que se abriu a minha frente. E que minha insegurança vai passar.Talvez. É engraçado como as pessoas sempre acham que sabem o que está se passando em nossa mente. Quais são as perturbações de nossa alma. Não as julgo, eu mesma faço isso com freqüência. Mas estou tentando parar. Incomoda! Seu conselho pode dar certo para você, mas o seu caminho não é o mesmo por que terá que passar aquela outra pessoa. Deveríamos no máximo contar nossas experiências e deixar com que eles tirassem suas próprias conclusões e chegassem a uma solução sozinhas. É uma maneira de fazer crescer e ensinar os que amamos. Todavia, justamente por amá-los não queremos que eles sofram e passem por situações difíceis. Mas é como já dizia alguém a muito: “o caminho mais fácil nem sempre é o correto”.
A maneira como decidimos viver nossas vidas vai determinar quem realmente somos e talvez, até fazer com que sejamos lembrados depois que tivermos partido. Alguns escolherão viver ou morrer para serem lembrados, outros viver apenas e amar e serem amados. Como Aquiles escolheu ir a Guerra de Tróia, onde sabia que encontraria a morte, para que seu nome atravessasse os séculos. Nem sei por que escrevo sobre isso, mas escrevo. Parece-me algo irrelevante agora que releio o parágrafo, mas me veio à mente e fui deixando os dedos pressionarem o teclado.
Ao acordar todos os dias, penso no que poderia ter acontecido se eu tivesse escolhido diferente. Quem seriam meus companheiros, meus amigos. Se eu estaria gostando do curso. Será que estaria namorando? Será que teria me mudado para outra cidade? É como disse Thomas Mc Gulacht “na vida escolhemos um caminho e seguimos sentindo a nostalgia dos outros 99”. Tudo são escolhas, mesmo quando você resolve não escolher, está fazendo uma opção. Não há como fugir desta regra. Contudo, o importante não é como você começa, mas como decide terminar as coisas. Isso o diferencia da multidão.
Livros e letras sempre foram o meu universo, mas agora vejo que existe um mundo gigante lá fora, e tenho medo. Não sei se estou preparada para enfrentá-lo. A vontade de fazer o meu melhor se mistura ao terror de falhar. Decepcionar os que me amam é mais apavorante que enfrentar os monstros que estão esperando do outro lado da porta. Era tão mais simples acordar e ter que ir a escola de manhã, fazer deveres à tarde e treinar vôlei à noite. Naquele mundo eu sabia onde pisar. Eu dominava aquele espaço. Hoje cada passo é uma aventura, um desafio. E se meus pés não encontrarem lugar para se firmar? Antes cercada de pessoas em quem podia me apoiar para não cair, agora desprotegida, exposta às intemperanças.
Quando digo que estou desprotegida não significa que estou sozinha. Não mesmo. Apenas atento para o fato de que cada um agora tem seu próprio caminho para trilhar. E os amigos não estarão mais juntos fisicamente o tempo todo.
No fim, acho que isso é crescer. Deixar coisas para trás, descobrir e construir novas. Como ir ao hospital visitar a filinha da sua amiga, procurar um emprego, ou conhecer a casa nova da sua outra amiga que acabou de casar. Puxa! Dias atrás éramos crianças brincando descalças na rua. Estudando para passar nas provas finais e não ficar para recuperação. Comendo brigadeiro, sem medo de engordar, enquanto passávamos a tarde toda assistindo filmes. Construindo uma casa na árvore durante as férias na fazenda. Aí, que a saudade desses tempos aperta o peito! Mas, os horizontes hoje são outros e o tempo corrido não permite distrações nostálgicas.
Ainda não descobri como chegar a Terra do Nunca, por isso, vou enfrentando o que aparece.