Havia 6 meses que seus olhos esquadrinhavam os céus à procura de um pequeno sinal. Tinha prometido a santa que ficava no altar da sala, levaria o primeiro pingo d'água para ela se a chuva chegasse a tempo de salvar o gado e plantação.

Já começava a perder as esperanças, talvez sua fé não fosse tão grande quanto acreditava. Desejou tantas vezes ouvir o som de trovões, sentir o vento frio da chuva, o cheiro de terra molhada, que quando o céu se fechou em nuvens negras e os relâmpagos iluminaram tudo, achou que estivesse sonhando acordado.
Começou a chover forte lá fora. As primeiras gotas levantaram a poeira do chão seco. As pessoas correram para a rua, pulavam e gritavam banhando - se. Celebravam o retorno da vida. Algumas mulheres foram logo buscar seus baldes e os colocaram para encher. A alegria tomava conta de todos.
De sua varanda ele apenas observava, silenciosamente. Foi até a cozinha e pegou um pires. Finalmente cumpriria sua promessa. Ao colocar o pires sobre o altar, lá estavam três pingos d'água: um era da chuva, dois haviam caido de seu olhar...


