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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Desespero solitário

Presa em uma espécie de limbo

vejo as coisas, as pessoas ao meu redor,

mas não sinto nada!

Procuro desesperadamente por um olhar,

que me libertará, que vai me tirar do nada em que estou envolvida.

E me levar em seus braços para um lugar seguro.

Vai preencher as lacunas,

calar a tristeza e acabar com as dúvidas em meu coração.

Entretanto,

Já não tenho certeza se esse olhar existe.

Há muito deixei de esperar que ele esteja montado em um cavalo branco...

(também não quero que ele chegue dirigindo um Volvo prateado!)

Preciso acreditar que ele vai me surpreender.

Pode ser que eu já o conheça e, simplesmente, não esteja prestando atenção!

Mas tenho medo desse desespero que me invade,

que ele turve minha mente (e ela já está bastante confusa).

Às vezes, me pego desenhando possibilidades em minha cabeça...

Seriam essas possibilidades fruto da minha angústia?

Magoei muitas pessoas durante essa busca sem sentido

Estaria eu me apressando?

Existe, ou não, tempo exato?

Poderei eu mudar o que foi escrito?

Se é que há algo escrito para mim em algum lugar! (Quem escreveria essas linhas tortas e preguiçosas sobre meu futuro?)

Caramba...

Talvez eu não devesse,

Mas preciso acreditar que existe alguém a minha espera.

Tenho que pensar que está lá, em algum lugar...

apenas esperando que eu olhe mais de perto!

O problema é que estou cansada...

O caminho parece mais escuro a cada passo,

e não há ninguém às margens da estrada!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Liberdade de expressão, uma prática transformadora


[...]É importante recapitularmos sempre, que nunca a chamada "barbárie" das selvas, nem o despotismo e a tirania orientais, em suas formas mais drásticas alcançaram a ferocidade de nosso século XX. Nazistas queimaram livros científicos e literários para a "proteção da nação" e do Estado. A relação de livros judeus proibidos pela Gestalpo chegou à 12 400 livros, de 149 autores.[...]


Para os nazistas, os judeus tinham de ser eliminados pois eram responsáveis pelas ruínas dos fundamentos da sociedade tradicional. Os judeus eram traficantes do imaginário, que introdiziam a diferença e a diversidade. Hitler dizia que a "consciência" era uma invenção judaica.[...]


[...]Não é por simples coincidência que muitos intelectuais e pensadores, que puseram em dúvida valores da nossa civilização ocidental, abrindo novas frentes para a ciência e a sociedade, eram judeus: Freud, Einstein, Wittgenstein, Adorno, Benjamin, Kafka. O último deles, mostrou-nos que o homem vive mergulhado na opressão, como um prisioneiro, perambulando por um labirinto sem saída.


Toda história é a história dos opressores, que para dominarem necessitam limitar a palavra crítica. Mas, como diz Walter Benjamin, há necessidade de uma outra escrita da história. Se Aufklang abriu para os homens um caminho crítico, hoje se exige uma palavra que subverta o discurso e o transforme em uma escrita, ao mesmo tempo destruidora e salvadora. Para Benjamin, a escritura da história, ligada a uma prática transformadora, é ao mesmo tempo redentora e revolucionária. A narrativa tem importância na constituição do sujeito. E isso leva a uma questão crucial de nosso tempo, a responsabilidade da mídia. Nada é tão desestabilizador para uma sociedade como a distorção da realidade, que muitas vezes é transmitida pela mídia.


A liberdade de expressão não é uma opção mas um direito humano fundamental, e consta no artigo 19 da Declaração dos Direitos Humanos: "Cada indivíduo tem o direito à liberdade de opinião e de expressão, o direito à liberdade de ter opiniões sem interferência e procurar receber informações e idéias de qualquer mídia e de qualquer fronteira". Contudo, a defesa da liberdade requer constante alerta. Quais os limites da liberdade de expressão? Quando os alemães pregavam, nos jardins públicos de Berlim, seus discursos contra os judeus que levariam ao Holocausto, deveriam ser proibidos?


[...]Fica o dilema: até onde vão os limites de nossa liberdade de expressão? Sem esquecer as paalvras de Walter Benjamin: aniquilar o Homem é privá-lo tando de comida quanto de palavra.


(Anita Novinsky - Os regimes totalitários e a sensura, 1997)

terça-feira, 28 de abril de 2009

Estamos com fome de amor...


Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.                                                  
                                                                            
                                                                             
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e  transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas  e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.                  
                                                                            
                                                                            
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvída?                                                      
                                                                                                                                                     
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico. Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados. Sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega? Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção.                                                      
                                                                            
                                                                            
Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como  voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.                                                           
                                                                            
                                                                            
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada  "Nasci pra ser sozinho!". Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.   
                                                                            
                                                                            
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada  dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.                                                     
                                                                            
                                                                  
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.                                                                     
                                                                        
                                                                            
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens. Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito  brega!). Aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois.                                                                      
                                                                            
                                                                            
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que "se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?". Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo,  ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada. O que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se  eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".                                                            
                                                                            
                                                                            
 Antes idiota que infeliz !                                                 
(Arnaldo Jabor)



Talvez a vida esteja passando rápido de mais e nós não estajamos mais conseguindo acompanhá-la. 
Ontem uma amiga me lembrou como nosso tempo de crianças era bom, despreocupado e despretencioso! E me peguei pensando... Nossa! Nem faz tanto tempo assim. 
Entretanto, aqui estou eu. Entrando para a juventude sem tempo, coragem ou disposição!!!
Meninas boas escrevem em seus diários, meninas más nunca tem tempo. Eu? Eu quero viver a vida sem ter que escrever nada!
Radical? Talvez. porém, necessário!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Armadilha


Quando o sol vai se escondendo
A saudade aperta mais...
Lembro aqueles olhos verdes
sobre a minha rede
entre os laranjais...

A Lua chega vaidosa,
pratiando a escuridão
E uma lágrima que explode
sem pedir se pode até cair no chão!

Coração gira no peito,
feito um muinho de vento...
E uma lembrança pixota
vira cambalhota no meu pensamento.

Eu rodo contando estrelas,
até ver uma cadente...
Faço a ela três pedidos
pra ser atendido e juntar a gente!

Deus que beleza!
Deus que saudade!
O amor é um bicho louco
que no corpo a corpo
trás felicidade!

Deus que beleza!
Deus sol que brilha!
O amor é mais gostoso.
Só que a saudade põe a armadilha!

domingo, 20 de julho de 2008

Sentada em frente ao teclado, procurando o que escrever...

Movida por uma vontade súbita de produzir, porém, sem uma inspiração aparente. Comecei a escrever na esperança de que a idéia viesse enquanto meus dedos tocavam o teclado.Viver em meio a grandes artistas nem sempre é confortável, é fácil sentir uma pontinha de ciúme da maneira natural com que as grandes idéias afloram sem que eles se dêem conta. Mas fácil ainda é pensar o que você está fazendo lá. Perguntar-se se aquele é mesmo o seu lugar. Algum tempo atrás eu realmente acreditei que tinha talento, mas hoje me comparo às outras pessoas e não tenho mais tanta certeza.

Não deveria fazer comparações. Contudo, em meu mundo, mais do que em qualquer outro, elas são inevitáveis. Na maioria das vezes maldosas e cruéis. E aprender a conviver com isso leva tempo e um pedaço da sua alma.Não, não sinto tristeza, nem arrependimento. É esse o lugar onde eu queria estar. Foi por isso que lutei durante anos de minha vida. Entretanto, isso não faz com que a insegurança desapareça. Não leva embora o medo do fracasso. Muitos irão dizer que o que sinto agora é absolutamente normal diante do novo universo que se abriu a minha frente. E que minha insegurança vai passar.Talvez. É engraçado como as pessoas sempre acham que sabem o que está se passando em nossa mente. Quais são as perturbações de nossa alma. Não as julgo, eu mesma faço isso com freqüência. Mas estou tentando parar. Incomoda! Seu conselho pode dar certo para você, mas o seu caminho não é o mesmo por que terá que passar aquela outra pessoa. Deveríamos no máximo contar nossas experiências e deixar com que eles tirassem suas próprias conclusões e chegassem a uma solução sozinhas. É uma maneira de fazer crescer e ensinar os que amamos. Todavia, justamente por amá-los não queremos que eles sofram e passem por situações difíceis. Mas é como já dizia alguém a muito: “o caminho mais fácil nem sempre é o correto”.

A maneira como decidimos viver nossas vidas vai determinar quem realmente somos e talvez, até fazer com que sejamos lembrados depois que tivermos partido. Alguns escolherão viver ou morrer para serem lembrados, outros viver apenas e amar e serem amados. Como Aquiles escolheu ir a Guerra de Tróia, onde sabia que encontraria a morte, para que seu nome atravessasse os séculos. Nem sei por que escrevo sobre isso, mas escrevo. Parece-me algo irrelevante agora que releio o parágrafo, mas me veio à mente e fui deixando os dedos pressionarem o teclado.

Ao acordar todos os dias, penso no que poderia ter acontecido se eu tivesse escolhido diferente. Quem seriam meus companheiros, meus amigos. Se eu estaria gostando do curso. Será que estaria namorando? Será que teria me mudado para outra cidade? É como disse Thomas Mc Gulacht “na vida escolhemos um caminho e seguimos sentindo a nostalgia dos outros 99”. Tudo são escolhas, mesmo quando você resolve não escolher, está fazendo uma opção. Não há como fugir desta regra. Contudo, o importante não é como você começa, mas como decide terminar as coisas. Isso o diferencia da multidão.

Livros e letras sempre foram o meu universo, mas agora vejo que existe um mundo gigante lá fora, e tenho medo. Não sei se estou preparada para enfrentá-lo. A vontade de fazer o meu melhor se mistura ao terror de falhar. Decepcionar os que me amam é mais apavorante que enfrentar os monstros que estão esperando do outro lado da porta. Era tão mais simples acordar e ter que ir a escola de manhã, fazer deveres à tarde e treinar vôlei à noite. Naquele mundo eu sabia onde pisar. Eu dominava aquele espaço. Hoje cada passo é uma aventura, um desafio. E se meus pés não encontrarem lugar para se firmar? Antes cercada de pessoas em quem podia me apoiar para não cair, agora desprotegida, exposta às intemperanças.

Quando digo que estou desprotegida não significa que estou sozinha. Não mesmo. Apenas atento para o fato de que cada um agora tem seu próprio caminho para trilhar. E os amigos não estarão mais juntos fisicamente o tempo todo.

No fim, acho que isso é crescer. Deixar coisas para trás, descobrir e construir novas. Como ir ao hospital visitar a filinha da sua amiga, procurar um emprego, ou conhecer a casa nova da sua outra amiga que acabou de casar. Puxa! Dias atrás éramos crianças brincando descalças na rua. Estudando para passar nas provas finais e não ficar para recuperação. Comendo brigadeiro, sem medo de engordar, enquanto passávamos a tarde toda assistindo filmes. Construindo uma casa na árvore durante as férias na fazenda. Aí, que a saudade desses tempos aperta o peito! Mas, os horizontes hoje são outros e o tempo corrido não permite distrações nostálgicas.

Ainda não descobri como chegar a Terra do Nunca, por isso, vou enfrentando o que aparece.